2º Aniversário da Força Invicta
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Manifesto de criação da AOPMBA


Iniciamos, após 179 anos, um novo momento. Durante esses longos anos, as decisões sobre os rumos a serem seguidos pela nossa Instituição, flutuaram entre os interesses dos nossos governantes e os interesses daqueles que, internamente, conduziam os destinos da nossa Corporação, sendo que, muitas vezes, essas decisões não representaram os verdadeiros anseios da maioria daqueles que integram a Polícia Militar, bem como os interesses da sociedade baiana.





Hoje, nós Oficiais, buscamos dar inicio, de forma concreta, a um processo de conscientização acerca da nossa importância na discussão dos rumos da Instituição. Apesar de não termos desenvolvido, durante todo esse tempo, os mecanismos políticos da REIVINDICAÇÃO COLETIVA. 

Sim, senhores, REIVINDICAR! valor tão reprimido ao longo da nossa história, REIVINDICAÇÃO que beneficie a todos e não apenas a um restrito grupo. Tenham certeza, que nossa vontade de aprender, inclusive com as experiências alheias, aliada a esperança de vivenciar uma polícia mais justa e coesa, será o nosso combustível para seguirmos em frente, lutando pelos nossos direitos, sempre abertos à discussão, buscando a via do diálogo e da negociação, sem olvidar, contudo, das vias administrativas, políticas e judiciais, e nem temer aos desagravos.

A Oficialidade indignada, mal remunerada, com baixíssima auto-estima, sem um plano de carreira definido, que não luta pelos seus direitos e se encontra encurralada entre o poder estatal e a crescente demanda de desestímulos internos e, que por fim, assiste ao crescimento desenfreado da violência em nosso Estado, sem participar efetivamente dos estudos, propostas e ações que necessitam ser desenvolvidas para o enfrentamento da questão, transforma-se em refém dos seus próprios medos, perdendo inúmeros colegas, bons profissionais que aqui se encontravam puramente por vocação mas que, ávidos por pertencerem a instituições fortes, onde seu trabalho seja reconhecido e recompensado à altura, deixaram, saudosos, a nossa Corporação.

Este quadro histórico vem sendo alimentado pela excessiva interferência política nas decisões internas da Corporação, que resultaram em uma desordem normativa e organizacional, com conseqüências negativas em todas as engrenagens da nossa estrutura laboral.

Aliam-se a isto, os privilégios destinados a pequenos nichos da nossa Oficialidade, que durante longos anos se beneficiam com gratificações que surgem ou desaparecem sem maiores explicações; cargos comissionados que passaram a ser usados como meio de pressão, que compram a obediência e subjugam a independência e aspirações; "ilhas de prosperidade" que beneficiam uns poucos, alimentando com migalhas os demais; promoções por merecimento que revelam militares de, entre aspas, excepcional grandeza, verdadeiros NAPOLEÕES, pois são promovidos antes de três, quatro, ou até mais de cinco turmas (os nossos famosos capotes); transferências por necessidade do serviço, aplicadas como meio de punição extra-oficial e perseguições pessoais, dentre outras coisas.

Apesar de tudo não desistimos !! E sentimos a necessidade de nos organizar e poder nos expressar, ordeira e respeitosamente, como entidade representativa da classe, acerca dos nossos interessese anseios. Afinal, antes de oficiais policiais-militares, somos CIDADÃOS !!








Estas palavras, sabemos, não são novidades, ecoam nas rotinas dos quartéis, nos seus corredores e nas rodas de conversa, gerando estereótipos muito mais perigosos do que a expressão clara e pública dessas nossas verdades. Tal expressão não se subsume como mais um lamento retraído nos valores e estímulos daqueles que os vivenciam mas, tão somente, como uma forma comprovadamente eficaz de se resolver tais decepções tão vergastadas no tempo; através da abertura de um canal de diálogo e discussão com a nossa cúpula gestora.




É neste contexto que nós, Oficiais da Polícia Militar da Bahia, devemos nos situar e refletir, - ou buscamos um caminho que vise o crescimento da Instituição Polícia Militar como um todo, diminuindo as ingerências externas, abrangendo a Oficialidade, ativos e inativa, sem privilégios individuais, com uma carreira definida em Leis e Regulamentos, que se traduza em direitos e deveres acessíveis a todos -, ou seremos tragados pelo fogo da violência que aflige a sociedade brasileira, e expelidos como fumaça que se esvai ao vento, por não possuir densidade suficiente para permanecer unida.


Não mais podemos padecer do pecado da inércia, sob pena de continuarmos a sentir na carne os reveses que nos são impostos.

Sabemos que a criação da Associação dos Oficiais da Polícia Militar - Força Invicta, pura e simplesmente, não mudará imediatamente as nossas vidas, é apenas um primeiro passo, mas nos impulsionará para um novo tempo. Tempo de luta e de representatividade de uma classe, que, por ser denominada culturalmente como " superiores hierárquicos" , se esqueceu de buscar o real significado do nome CORPO DE POLÍCIA, uma das nossas primeiras denominações, que nada mais é do que um " grupo de pessoas que exercem a profissão de polícia" , um corpo, um conjunto, não apenas o agrupamento de uns poucos privilegiados, mas uma Polícia Militar coesa, a serviço da sociedade baiana.

Nós somos gestores de segurança pública e temos a consciência do nosso dever e da importância da nossa missão, bem como da responsabilidade para com a tranquilidade do povo baiano, e, por isto, conclamamos a todos a ter fé em Deus, fé na vida, fé no homem e fé no que virá, pois unidos poderemos muito, associados poderemos mais.